O Coração de um Pai Palhaço
O circo estava lotado, a lona viva com o burburinho da cidade. Cain entrou no picadeiro, rosto pintado, nariz vermelho na mão, e a plateia silenciou. Darci entrou de mansinho, coração aos pulos, lágrimas prontas para cair. Parou lá atrás, meio escondida, e viu o pai no centro das luzes. — Hoje quero lembrar a todos vocês — Cain começou, a voz firme e quente — que a vida sempre nos surpreende. O fracasso, meus amigos, não é o fim. Ele ensina, revela novos caminhos. A dor, essa companheira dura, só está lá para nos lembrar que ainda sentimos, que estamos vivos. Recomeçar exige coragem, e coragem é amar mesmo quando tudo parece perdido. Darci não se segurou. As lágrimas fluíram, misturando vergonha, orgulho, gratidão e todos os sentimentos que guardara por tanto tempo. A multidão levantou-se e aplaudiu, risos e lágrimas se misturando no ar do circo. Assim que o espetáculo acabou, Darci abriu caminho pela multidão, o coração nas mãos. Nos bastidores, encontrou o pai tirando a maquiagem lentamente, ainda de costas. — Pai...
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